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CUIDADO COM AS INTOXICAÇÕES DE BOVINOS POR CHUMBO!!!

13/05/2013


Este tipo de contaminação ocorre quando bovinos ingerem acidentalmente produtos que contém chumbo ou pastagens ou aguadas contaminadas por esse elemento.

A doença afeta principalmente bovinos. A forma aguda cursa com cegueira e tremores e a crônica com cegueira, depressão, pressão da cabeça contra objetos e estase do rúmen. (BARROS ET AL, 2006).
    Segundo Barros et al (2006) o chumbo está presente em produtos como tintas, baterias, pilhas, óleo ou graxa de motores e máquinas agrícolas. Dependendo da forma química do chumbo ingerido, apenas uma pequena proporção é absorvida, devido a formação de complexos insolúveis no trato digestivo, os quais são eliminados pelas fezes.

Após a absorção, é distribuído pelo sangue, inicialmente nos tecidos moles, principalmente no epitélio tubular dos rins e fígado, onde parte é excretada na bile, outra é armazenada e uma terceira penetra na circulação na forma de fosfato de chumbo. As partículas de chumbo irão se ligar às proteínas dos eritrócitos inibindo a enzima heme sintetase combinada a protoporfirina e o ferro que em conjunto irão inibir a síntese de hemoglobina. Levando as lesões nas células endoteliais do SNC e lesões cáusticas dos sais de chumbo no trato gastrointestinal. A excreção se dá por diversas vias, mas somente a renal e a gastrointestinal são de maior importância. Estima-se que pela urina são excretados até 80% do chumbo ingerido, enquanto que 15% são eliminados pelas fezes via bile e secreção pelo trato gastrointestinal.

Os sinais clínicos podem ser agudos ou subagudos. Na forma aguda, os animais são encontrados mortos ou morrem nas primeiras 24 horas após o início da enfermidade. Já na forma subaguda os animais sobrevivem de 4 a 5 dias. De acordo com Barros et al (2006) os principais sinais consistem em distúrbios neurológicos e incluem cegueira, tremores musculares, incoordenação, agressividade ou depressão, pressão da cabeça contra obstáculos, sonolência, ranger dos dentes, nistagmo espontâneo,  opistótono, andar em círculos e convulsões com movimentos tônico-clônicos.

A cegueira e a fasciculação dos músculos da face, pescoço e orelhas são considerados os sinais mais característicos de intoxicação. O reflexo palpebral está ausente ou diminuído.

O diagnóstico deve ser confirmado pela determinação dos níveis de chumbo no sangue e tecidos como rim e fígado de animais afetados. O material deve ser enviado ao laboratório sob refrigeração ou formolizado. O sangue deve ser colhido em tubos com anticoagulante. (BARROS ET AL, 2006).

Na necropsia não são observadas lesões significativas. As lesões mais características localizam-se no córtex cerebral, podem ocorrer amolecimento e coloração amarelada da substância cinzenta, apresentando edema e congestão cerebral. Também ocorrer abomasite e enterite, assim como coloração marron-acinzentada dos lábios e mucosas da cavidade oral, pré-estômagos e abomaso e hiperemia do trato gastrointestinal.

Na microscopia pode ocorrer necrose do córtex cerebral, principalmente na parte superior das circunvoluções cerebrais. No rim, corpúsculos de inclusão podem ser encontrados nas células epiteliais dos túbulos. Esta lesão é considerada característica da intoxicação. 

Ainda segundo o mesmo autor, o diagnóstico inclui associação dos sinais clínicos, lesões macroscópicas e microscópicas. Associando a dosagem de chumbo no sangue, rim ou fígado. Sendo que níveis acima de 0,4 ppm são tóxicos ao organismo (RIET-CORREA, 2001). Em bovinos deve realizar-se o diagnóstico diferencial com a polioencefalomalácia, causada por enxofre, cloreto de sódio ou pela carência de tiamina, da encefalite por herpesvírus bovino-5.

O tratamento é pouco eficiente, mas recomenda-se a administração de edetato dissódico de cálcio. A terapia com tiamina também é benéfica. É importante evitar o acesso dos bovinos a materiais que podem conter chumbo, não utilizar pastagens com descartes de lixo e próximas a indústrias.

Consulte sempre um Médico Veterinário!!!

Por Amarine Loures Furtado
Graduanda em Medicina Veterinária – Univiçosa


Fonte: 1. BARROS, C. S.L.; DRIEMEIER, D.; DUTRA, I.S.; LEMOS, R.A.A. DOENÇAS DO SISTEMA NERVOSO DE BOVINOS NO BRASIL. Editora Montes Claros, MG. Vallé, 2006.
2. RADOSTITS, O.M.; C.C., BLOOD,D.C.; HINCHCLIFF, K.W. Clínica Veterinária. Um tratado das doenças dos Bovinos, Ovinos, Suínos, Caprinos e Equinos. 9 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.




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